O Codificador da Doutrina Espírita – Allan Kardec

allan_kardecBiografia de Allan Kardec

Nascido em 03 de outubro de 1804, Hippolyte-Léon Denizard Rivail, o futuro Allan Kardec, em Lyon, a segunda maior cidade francesa depois de Paris. Seus pais foram Jean-Baptiste Antoine Rivail, homem de leis, e Jeanne Louise Duhamel, residentes à Rue Sale, 76. Em 1815 o menino Rivail foi transferido para o Instituto Pestalozzi (JOHANN HEINRICH PESTALOZZI) em Yverdun (Suíça),, onde completou sua bagagem escolar. Em 1832 (06/02), firmou-se em Paris, o contrato de casamento de Hippolyte-Léon Denizard Rivail com a senhorita Amélia Gabrielle Boudet. Em 1849, encontramos o Sr. Rivail professor no Liceu Polimático, regendo as cadeiras de Fisiologia, Astronomia, Química e Física. Hippolyte-Léon-Denizard Rivail – Allan Kardec – faleceu em Paris, rua e passagem Sant’Ana, 59, 2ª circunscrição e Mairie de la Banque, em 31 de março de 1869, na idade de 65 anos, sucumbindo da ruptura de um aneurisma.

Allan Kardec – O Educador

O ensino do Instituto Pestalozzi era essencialmente heurístico, ou seja, conjunto de regras que leva à descoberta, à invenção e à resolução de problemas, ao invés de serem ministrados dogmaticamente pelo método catequético. Essa ida do menino Rivail para YVERDON foi uma marca muito forte na vida de Kardec. A educação que Pestalozzi dava para as crianças é no sentido de formar pessoas que se preocupassem muito com a precisão do sentido das palavras. Pestalozzi criticava muito a VERBORRAGIA, falar muito e não falar nada. A isso ele considerava um falso conhecimento. Conhecimento sem ssência. Procurava dar uma educação que a criança formasse vocabulário, formasse idéias, conceitos a partir de uma experiência vivida na prática, sentida intimamente, que ele chamava de percepção.

Ele achava que uma pessoa só achava uma idéias corrente, precisa a respeito de uma coisa, se ela tivesse percebido, seja uma percepção externa, através da observação, fosse uma percepção interna também. Você se olhar, sentir algo. Você só podia entender a solidariedade, amor ao próximo se você sentisse isso. Ele se preocupava muito que as palavras tivessem um conteúdo existencial. Na codificação Kardec cria palavras, entre outras: ESPIRITISMO, PERISPÍRITO. Ele discute o que de fato é espiritualismo; o que de fato é alma, por que ele se preocupava muito com essa precisão do conceito, para não gerar ambigüidade, para não gerar polêmica em torno do que não ficasse muito claro, muito explícito. Isso é algo que ele aprende com Pestalozzi.

O menino Rivail teve uma educação científica, por que essa valorização da experiência da observação empírica das coisas, foi importante para a formação de um espírito arguto (sagaz, engenhoso), observador percepcaz, que se interessa pelos fenômenos naturais, fenômenos sociais, fenômenos políticos, enfim por tudo que é fenômeno que você tem que observar, olhar para a realidade e perceber o que está acontecendo. Isso foi muito importante para a abordagem do Kardec, depois, na parte dos fenômenos espíritas.

Como se pode julgar por esta muito rápida exposição, o Sr. Rivail estava  admiravelmente preparado para a rude tarefa que ia ter que desempenhar e fazer triunfar. Seu nome era conhecido e respeitado, seus trabalhos justamente apreciados, muito antes que ele imortalizasse o nome de Allan Kardec.

Allan Kardec – O Codificador

Foi em 1854 que o Sr. Rivail ouviu pela primeira vez falar nas mesas girantes, a princípio do Sr. Fortier, magnetizador, com o qual mantinha relações, em razão dos seus estudos sobre o Magnetismo. No começo do ano de 1855, o Sr. Cariotti (amigo há mais de 25 anos) fala por mais de uma hora acerca desses fenômenos com o entusiasmo que ele punha em todas as idéias novas. Ele foi o primeiro a falar-me da intervenção dos Espíritos, e contou-me tantas coisas surpreendentes que, longe de me convencerem, aumentaram as minhas dúvidas. No mês de maio de 1855, esteve em casa da sonâmbula Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador. Testemunha pela primeira vez o fenômeno das mesas girantes. Suas idéias estavam longe de se haver modificado, mas naquilo havia um fato que devia ter uma causa.

Em um dos serões da Sra. Plainemaison, fiz conhecimento com a família Baudin, que morava então à rua Rochechouart. O Sr. Baudin fez-me oferecimento no sentido de assistir às sessões hebdomadárias que se efetuavam em sua casa, e às quais eu fui, desde esse momento, muito assíduo. A estas informações, colhidas nas Obras Póstumas de Allan Kardec, convém acrescentar que a princípio o Sr. Rivail, longe de ser um entusiasta dessas manifestações e absorvido por outras preocupações, esteve a ponto de as abandonar, o que talvez tivesse feito se não fossem as instantes solicitações dos Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Manthèse, Sardou, pai e filho, e Diddier, editor, que acompanhavam havia cinco anos o estudo desses fenômenos e tinham reunido cinqüenta cadernos de comunicações diversas, que não conseguiam pôr em ordem. Conhecendo as vastas e raras aptidões de síntese do Sr. Rivail, esses senhores lhe enviaram os cadernos, pedindo-lhe que deles tomasse conhecimento e os pusesse em termos -, os arranjasse. Este trabalho era árduo e exigia muito tempo, em virtude das lacunas e obscuridades dessas comunicações; e o sábio enciclopedista recusava-se a essa tarefa enfadonha e absorvente, em razão’de outros trabalhos.

Uma noite, seu Espírito protetor, “Z”., deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias. Ele se chamava, então, Allan Kardec, e, como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo. O Sr. Rivail, pois, lançou-se à obra; tomou os cadernos, anotou-os com cuidado. Após atenta leitura, suprimiu as repetições e pôs na respectiva ordem cada ditado, cada relatório de sessão; assinalou as lacunas a preencher, as obscuridades a aclarar, e preparou as perguntas necessárias para chegar a esse resultado. Até então, as sessões em casa do Sr. Baudin não tinham nenhum fim determinado. Comparecia a cada sessão com uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas: eram respondidas com precisão, profundeza e de modo lógico.

Foi aí que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda por efeito de revelações que por observação. Apliquei a essa nova ciência, como até então o tinha feito, o método da experimentação; nunca formulei teorias preconcebidas; observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas pela dedução, pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo como válida uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão”.

Um dos primeiros resultados de seus estudos, foi que:

  • os espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência;
  • que o seu saber era limitado ao grau do seu adiantamento;
  • que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal.

O segundo ponto, a comunicação dos espíritos, provava a existência de um mundo invisível. Não menos importante, era conhecer o estado desse mundo e seus costumes.

O terceiro ponto, a individualidade permanece.

No dia 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu gabinete de trabalho, em via de compulsar as comunicações e preparar o O Livro dos Espíritos, quando ouviu ressoarem pancadas repetidas no tabique; procurou, sem descobrir, a causa disso, e em seguida tornou a pôr mãos à obra. Sua mulher, entrando cerca das dez horas, ouviu os mesmos ruídos; procuraram, mas sem resultado, de onde podiam eles provir. Moravam, então, à rua dos Mártires n° 8, no segundo andar, ao fundo. No dia seguinte, sendo dia de sessões em casa do Sr. Baudim, escreve Allan Kardec, contei o fato e pedi a explicação dele.

Pergunta: – Ouvistes o fato que acabo de narrar; podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência?
Resposta: – Era o teu Espírito familiar.

P. – Com que fim, vinha ele bater assim?
R. – Queria comunicar-se contigo.

P – Poderei dizer-me o que queria ele?
R. – Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui.

P. – Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois?
R. – Para ti chamar-me-ei a Verdade, e todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui, à tua disposição.

Foi da comparação e da fusão de todas essas respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes refeitas no silêncio da meditação, que Rivail formulou a primeira edição de O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de abril de 1857, com o pseudônimo ALLAN KARDEC..

Então o educador Rivail, se transforma no educador Kardec. Se antes ele propunha, como Rivail, uma educação para as crianças ,para o aqui e agora, como Kardec ele propõe uma educação do espírito para o aqui e para o além, para o agora e para o infinito, um projeto permanente de evolução da humanidade.

Fonte:
Biografia de Allan Kardec – Henri Sausse
Kardec o Educador – Dora Incontri  (Doutora em educação pela USP, coordenadora da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita)

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